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Hora de Dormir

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Um dos assuntos que mais afligem pais e mães de bebês é o hora de dormir. Como colocar o bebê pra dormir? Como fazê-lo dormir a noite toda? Como acabar com aquele inferno das noites mal dormidas que massacram pais e mães, sobretudo as mães e ainda mais quando voltamos a trabalhar. Bom, vou compartilhar aqui a minha experiência, lembrando que o que serve para uma família pode não servir para outras. Ou seja, não existe receita para isso. Cada um sabe de seus limites e da natureza da relação com o bebê.
Até os 7 meses de idade, praticamos a cama compartilhada. Como Raul mamava de 2 em 2 horas, era mais prático assim. O problema é que eu acordava morta de cansada, com dor na coluna e corpo castigado. Quando voltei a trabalhar, esses sintomas pioraram e fiquei à beira de um colapso. Até que meu marido falou: “Acho que deveríamos colocá-lo pra dormir no máximo 22h e deixá-lo chorando no berço. Vc está no seu limite e eu tb! Afinal, ele já está comendo bem, jantando, mama antes de dormir e não pode ter tanta fome. Estando com a fralda sequinha, confortável, chorar um pouco não vai fazer mal.” A princípio, reagi muito mal. “Tá louco? Deixar nosso filho chorar? Isso causa problemas psicológicos!” E por aí iam meus argumentos. Foi somente minha total exaustão que me fez concordar em experimentar um dia.
22h, hora de ir pro berço. Troca de fralda, mamar, beijinho, boa noite papai, boa noite irmã, boa noite mamãe e… 1h e 50 de choro berrado ininterrupto. A mamãe aqui chorando junto e o papai apoiando: “calma, é assim mesmo, ele vai acostumar.” De repente, parou. Fiquei preocupada, levantei várias vezes pra ver. E ele… dormiu até 7h da manhã e acordou alegre como sempre. 
Assim foi durante 1 mês, com o tempo de choro diminuindo a cada semana. às vezes, ele até fazia cocô de tão forte que chorava. Mas mesmo assim foi diminuindo… Eu virei outra pessoa, mais calma, relaxada, descansada. Ele se tornou um bebê muito mais calmo, ganhou mais peso e está cada dia mais feliz, simpático e gaiato.
Hoje tem dia que ele dorme direto assim que o pomos no berço. Noutros, querendo ficar mais na sala com a gente, chora por no máximo 5 minutos quando vai pro bercinho. Quase sempre dorme até de manhã, quando acorda lá pelas 6 e meia ou 7h pra mamar. E ele ainda mama só no peito, nunca tomou nenhum outro tipo de leite.
Pode parecer crueldade, mas reconhecer meus limites foi fundamental pra nossa família, pra minha relação com meu bebê e pra mim mesma. Abrimos exceções para a cama familiar em caso de dentes nascendo, doença ou viagem. Aí o aconchego é liberado! Mas no dia-a-dia, 22h marcam meu tempo, a necessária pausa pra descansar, me refazer, namorar …
Não existe regra pra essas coisas, mas, no nosso caso, ficamos tranquilos com nossa opção, pois sabemos que amor, carinho e dedicação não nos faltam. Por isso, nos permitimos ser um pouco à moda antiga na hora de por nosso neném pra dormir.

Amamentar é prático!

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No post anterior falei mais das dificuldades da amamentação e fiquei com medo de desanimar as mamães… Precisamos lembrar também das facilidades que a amamentação, passados os primeiros (e breves) momentos mais dolorosos, traz para a mamãe, o bebê e toda a família. Além da maravilha que é o ato de amamentar, suas inúmeras vantagens para a saúde física e psíquica da mamãe e do bebê, do envolvimento sentimental entre mãe e filho, há ainda um fato importante: amamentar é muito prático!
Quando tudo está complicado e a adaptação à amamentação está difícil, às vezes a família esquece toda a complicação que envolve o hábito de dar mamadeira ao neném. Enquanto o leite de peito está sempre pronto, grátis, na temperatura certa, higienizado naturalmente, a mamadeira envolve uma série de procedimentos de limpeza, aquecimento, despesa com leites e fórmulas caros que também gera uma rotina cansativa. Além disso, tem sido divulgado que a maioria das mamadeiras existentes no Brasil é feita com um material que tem componentes cancerígenos (BPA) que são liberados quando aquecidos. Como é prática comum ferver mamadeiras e bicos, isto se torna mais uma preocupação em relação ao aleitamento artificial. Além disso, as cólicas costumam ser mais fortes e frequentes em crianças que tomam mamadeira, significando mais noites insones pros papais.
Uma outra coisa a considerar é que quando o bebê adoece, o peito oferece a ele hidratação e alimentação num momento em que ele costuma recusar comida e em que está frágil, precisando dos nutrientes e do aconchego obtidos no seio da mãe.
Em viagens também o peito é tudo de bom! Alimento e bebida que podem ser oferecidos em qualquer lugar, perfeitos pro bebê em qualquer clima ou situação. O mesmo se pode dizer de passeios em geral. Pra quem adora uma rua e gosta de levar seu bebê pra todo canto como se fosse uma mamãe canguru amamentar é a salvação.
É legal a gente ver que amamentar não é só sacrifício e doação, mas também prazer e praticidade. Adoro!

Amamentação exclusiva: uma questão de peito

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A OMS recomenda, o Ministério da Saúde indica, todo mundo sabe que os bebês devem ser alimentados exclusivamente ao seio durante os 6 primeiros meses de vida. Nas propagandas, cenas lindas e suaves de mulheres amamentando seus bebês. No entanto, para a maioria de nós não está tão claro assim quais as verdadeiras vantagens de tal exclusividade e, além disso, na vida real, o início da amamentação costuma ser uma das experiências mais difíceis pela qual pode passar uma mulher. Cansaço, dor, insegurança, incerteza marcam esse início de adaptação ao bebê e à estafante rotina da amamentação.
Além disso, muitas vezes as pessoas que estão em volta, muito bem intencionadas, acabam por atrapalhar ao invés de ajudar. Mãe, sogra, amigas, parentes são as primeiras a sabotar, inconscientemente, o projeto de amamentação exclusiva. Afinal, porque não dar uma mamadeira pra criança e os pais dormirem de noite? Ou pro bebê engordar mais (“esse choro é fome!”)? Ou pra mãe poder ter tempo de fazer outras coisas? Ou porque elas fizeram assim e “meus filhos não morreram por causa disso”? Fora os chazinhos para cólicas ou água, “pois ele deve estar com sede”.  Motivos não faltam.
No meio disso, nossa convicção começa a fraquejar. Eu sou uma mamífera convicta e amamentei minha primeira filha até os 2 anos e 2 meses. Mas confesso que cheguei a cogitar dar mamadeira ao Raul. Poucas vezes, nos seus 6 meses de vida, ele fez um intervalo maior que 2h pra mamar, inclusive de noite. Nas primeiras duas semanas, meu bico do seio sangrou e chegou a sair pedaço. Mesmo quando os mamilos cicatrizaram, graças à preciosa dica de passar neles meu próprio leite e colocá-los ao sol, ainda passei um mês com ardência neles. Ainda por cima, apesar de ter nascido com mais de 4 kg, Raul ganhou pouco peso. Ele se tornou um bebê comprido, mas magro. A pressão pra entrar com a mamadeira não foi pouca!
Em que me apoiei? Primeiramente, em meu marido, que sempre esteve do meu lado e apoiando a amamentação exclusiva. Mesmo perdendo noites de sono, ele nunca me propôs a mamadeira e deixou sempre claro que estaria ao meu lado pro que der e vier. Ou seja, ele verdadeiramente assumiu seu papel de pai e companheiro, sem delegar isso a terceiros ou às mulheres da família, como é comum ocorrer. Minha filha também estava sempre por perto e me fazendo lembrar que eu sou capaz de amamentar e fazer crescer um ser saudável. Outro apoio fundamental: a ONG Amigas do Peito. Sempre que eu tinha dúvidas ou fraquejava, corria pro http://www.amigasdopeito.org.br. Ou então pro site http://www.aleitamento.com. Informação é tudo nessas horas. A pediatra do Raul, a Joana, também foi muito bacana, não me alarmando com a questão do peso dele e incentivando a continuidade da exclusiva. Tem ainda a irmã-amiga Danielly Ribeiro, nutricionista que, com suas dicas, me ensinou que faz toda a diferença a amamentação exclusiva, sobretudo na prevenção de alergias e outras doenças respiratórias tão comuns entre as crianças hoje e que também fazem os pais perderem noites de sono só que por motivos bem piores que o de levantar pra amamentar o bebê.
Além de todas essas pessoas, as quais serei sempre grata, tem aqueles incentivos de gente que mal conhecemos, ou mesmo de desconhecidos, mas que acham bacana e dão força. Tem as trocas entre mães também, no facebook, nos mercados, nas praças, essencial.
Com toda essa força, conseguimos! Hoje Raul já está comendo bem, experimentando novas sensações, crescendo forte, saudável, esperto. Eu, mais calma e confiante, mais mamífera do que nunca.
Boas mamadas, muito leite e saúde pra todos nós!

Nana, nenê – fujam desse livro também!

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Uma conhecida me emprestou um livro chamado Nana Nenê, de Gary Ezzo e Robert Buckman, que promete ensinar um método para que os pais eduquem seus bebês para dormir a noite toda até completarem 6 semanas de vida. Contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e todos os grupos sérios de apoio ao aleitamento materno, o livro recomenda que, desde seus primeiros dias, o bebê seja enquadrado numa rotina rígida, com horários controlados para a amamentação. A idéia é que é possível treinar os bebês evitando que eles se tornem o centro da vida familiar.
Como todos os livros desse tipo, os autores creem que o benefício do leite materno é somente biológico e rejeitam sua função de acolhimento e aprofundamento do vínculo mãe-bebê. Consideram ainda as práticas da cama familiar, do aleitamento de horários livres e prolongado (2 anos ou mais) e do canguru (a mãe levar o bebê junto de si num sling ou similar) como algo que gera crianças dependentes, sem autonomia e muito exigentes. Falam ainda que tais práticas podem até ter seu porque em países de Terceiro Mundo, mas que seriam inaceitáveis em países mais ricos! Defendem o uso da chupeta e não do peito para confortar os bebês e por aí vai…
Detestei o livro e hoje até descobri que existe um movimento internacional contra ele na internet. Posso falar com base na minha experiência. Minha filha mamou por 2 anos e 2 meses. Pratiquei intensamente a cama familiar até ela completar 5 anos e, de lá pra cá, continuo a fazê-lo em casos de necessidade (doenças, fragilidades emocionais etc.). Sempre amamentei livremente e não só para matar a fome da minha filha, mas como forma de carinho, apoio emocional e aconchego. O resultado foi um criança que com 1 mês de vida acordava apenas 2 vezes de noite e que depois dos 3 meses acordava apenas uma vez. Com 1 ano já comia sozinha e não precisava que lhe dessem comida na boca. Com 1 ano e 5 meses arrumava sozinha, apenas com minha supervisão, a mochila da creche, tirando as roupas suja e colocando no cesto, escolhendo outras para por no lugar. Ela cresceu e se desenvolveu com grande autonomia e senso de responsabilidade.
Pela minha experiência de mamífera, creio que livros como esse podem ser muito prejudiciais ao aleitamento materno, que não é tarefa fácil nas primeriras semanas. Amamentar exclusivamente exige paciência, segurança, apoio e muita calma, o mínimo possível de ansiedade. Imagina conseguir isso se, além de todas as pressões que rolam, a mãe ainda resolver impor horários, rotinas rígidas e cobranças desnecessárias!
Amanentar é sobretudo deixar fluir,seguir o ritmo da natureza e acreditar no seu próprio potencial de mulher/mãe/mamífera capaz de garantir a sobrevivência da cria. É viver um tempo que não se dobra ao relógio e às exigências da produtividade capitalista. Horários rígidos de amamentação só podem ser bons pra preparar a mulher recém-parida pra voltar o mais rápido possível ao ritmo de trabalho, algo contrário à vivência plena e prazeirosa da amamentação.
Se o bebê não dorme de noite, podemos dormir de dia, nos horários em que ele dorme. Eu sempre fiz isso, dormia junto com minha filha. Para isso serve a licença-maternidade! E ninguém passa a vida toda acordando pra mamar. Toda criança passa a dormir em alguns meses. É só ter calma e paciência. Pode acreditar!

Palpite Infeliz

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“Quem é você, que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz…” A música de Noel Rosa bem poderia servir para 90% dos palpites que as grávidas e recém-paridas ouvem durante todo esse delicado período. “Você já fez uma cesariana? então não pode mais ter parto normal!”, “sua barriga tá muito baixa, cuidado!”, “tem mulher que tem leite fraco e não consegue amamentar…”, “parto normal deixa a mulher larga”, “vc vai aguentar ter parto normal? é muita dor!”, “mas o bebê só mama no peito, você não dá nem uma aguinha pra ele?”. Essas são algumas das frases que costumamos ouvir de parentes, amigos e até de desconhecidos. O pior é que, por vezes, mesmo médicos vem com a conversa de que a mulher não tem leite ou que o leite é fraco e precisa de suplementação de mamadeira.
Para nos empoderarmos e tomarmos as rédeas da gravidez, do parto e da amamentação, é preciso que estejamos bem informadas e muito seguras do que queremos. Existem muitos mitos envolvendo esses processos e basta a barriga despontar para sermos assoladas por eles. Como estamos sensíveis, inseguras às vezes, acabamos sucumbindo a essa “sabedoria” propagada por pessoas que são até bem intencionadas (nem sempre!), mas que ignoram muitas coisas que já são científica e empiricamente comprovadas.
Sobre o parto, é mito que quem faz cesárea uma vez, não possa mais ter parto normal. Há inúmeros relatos em sites como http://www.amigasdoparto.com.br/ que contrariam tal crendice.
Em relação à amamentação, já é sabido que não existe leite fraco, que um bebê se desenvolve muito bem com amamentação exclusiva até 06 meses ou mais, sem precisar de água, chás, sucos e outras bebidas ou comidas. Toda mulher saudável é capaz de amamentar e é possível buscar ajuda em grupos como as Amigas do Peito (http://www.amigasdopeito.org.br/).
É importante procurarmos redes de apoio e profissionais realmente comprometidos com o protagonismo feminino, com a amamentação, com o parto fisiológico.
Enfim, ninguém sabe mais de nossos corpos, vontades e possibilidades do que nós mesmas. Eu, quando estou com paciência, rebato os palpites infelizes com as informações de que disponho. Caso contrário, me limito a sorrir, e sigo em frente fazendo tudo do jeitinho que eu acredito.