Amamentação exclusiva: uma questão de peito

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A OMS recomenda, o Ministério da Saúde indica, todo mundo sabe que os bebês devem ser alimentados exclusivamente ao seio durante os 6 primeiros meses de vida. Nas propagandas, cenas lindas e suaves de mulheres amamentando seus bebês. No entanto, para a maioria de nós não está tão claro assim quais as verdadeiras vantagens de tal exclusividade e, além disso, na vida real, o início da amamentação costuma ser uma das experiências mais difíceis pela qual pode passar uma mulher. Cansaço, dor, insegurança, incerteza marcam esse início de adaptação ao bebê e à estafante rotina da amamentação.
Além disso, muitas vezes as pessoas que estão em volta, muito bem intencionadas, acabam por atrapalhar ao invés de ajudar. Mãe, sogra, amigas, parentes são as primeiras a sabotar, inconscientemente, o projeto de amamentação exclusiva. Afinal, porque não dar uma mamadeira pra criança e os pais dormirem de noite? Ou pro bebê engordar mais (“esse choro é fome!”)? Ou pra mãe poder ter tempo de fazer outras coisas? Ou porque elas fizeram assim e “meus filhos não morreram por causa disso”? Fora os chazinhos para cólicas ou água, “pois ele deve estar com sede”.  Motivos não faltam.
No meio disso, nossa convicção começa a fraquejar. Eu sou uma mamífera convicta e amamentei minha primeira filha até os 2 anos e 2 meses. Mas confesso que cheguei a cogitar dar mamadeira ao Raul. Poucas vezes, nos seus 6 meses de vida, ele fez um intervalo maior que 2h pra mamar, inclusive de noite. Nas primeiras duas semanas, meu bico do seio sangrou e chegou a sair pedaço. Mesmo quando os mamilos cicatrizaram, graças à preciosa dica de passar neles meu próprio leite e colocá-los ao sol, ainda passei um mês com ardência neles. Ainda por cima, apesar de ter nascido com mais de 4 kg, Raul ganhou pouco peso. Ele se tornou um bebê comprido, mas magro. A pressão pra entrar com a mamadeira não foi pouca!
Em que me apoiei? Primeiramente, em meu marido, que sempre esteve do meu lado e apoiando a amamentação exclusiva. Mesmo perdendo noites de sono, ele nunca me propôs a mamadeira e deixou sempre claro que estaria ao meu lado pro que der e vier. Ou seja, ele verdadeiramente assumiu seu papel de pai e companheiro, sem delegar isso a terceiros ou às mulheres da família, como é comum ocorrer. Minha filha também estava sempre por perto e me fazendo lembrar que eu sou capaz de amamentar e fazer crescer um ser saudável. Outro apoio fundamental: a ONG Amigas do Peito. Sempre que eu tinha dúvidas ou fraquejava, corria pro http://www.amigasdopeito.org.br. Ou então pro site http://www.aleitamento.com. Informação é tudo nessas horas. A pediatra do Raul, a Joana, também foi muito bacana, não me alarmando com a questão do peso dele e incentivando a continuidade da exclusiva. Tem ainda a irmã-amiga Danielly Ribeiro, nutricionista que, com suas dicas, me ensinou que faz toda a diferença a amamentação exclusiva, sobretudo na prevenção de alergias e outras doenças respiratórias tão comuns entre as crianças hoje e que também fazem os pais perderem noites de sono só que por motivos bem piores que o de levantar pra amamentar o bebê.
Além de todas essas pessoas, as quais serei sempre grata, tem aqueles incentivos de gente que mal conhecemos, ou mesmo de desconhecidos, mas que acham bacana e dão força. Tem as trocas entre mães também, no facebook, nos mercados, nas praças, essencial.
Com toda essa força, conseguimos! Hoje Raul já está comendo bem, experimentando novas sensações, crescendo forte, saudável, esperto. Eu, mais calma e confiante, mais mamífera do que nunca.
Boas mamadas, muito leite e saúde pra todos nós!
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