Arquivo mensal: janeiro 2011

Quando o corpo consente – Leiam esse livro!

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A doula Gisele Muniz, durante um curso sobre trabalho de parto, me indicou a leitura do livro Quando o corpo consente, de Marie Bertherat, Thérèse Bertherat e Paule Bung. É um belíssimo livro! Marie Bertherat é filha de Thérèse, uma das pioneiras da antiginástica, e boa parte do livro é feita de seus diários de gravidez e relatos de parto. Esses textos dialogam com as análises de Thérèse sobre tensões e couraças, complementadas por dicas de exercícios para gestantes. Paule Brung é uma parteira que prepara gestantes para o parto seguindo os princípios da terapia corporal ensinada por Thérèse.
Além das lindas histórias, o livro contém dicas importantes de respiração que tem me ajudado muito nessa espera final do parto. Elas também discutem a questao da dor, como lidar com ela e, de certo modo, aceitá-la, consentindo que o corpo se abra para o turbilhão de energia vital que é o parto. É bom podermos assumir e entender nossos medos, sobretudo num momento onde essas emoções são duramente negadas às parturientes, constantemente incentivadas a optar pela previsibilidade e relativo conforto de uma cesariana ou pelo uso da peridural como promessa de um parto civilizado e sem dor. Ouvir relatos de mulheres que ousaram aceitar o papel de parideiras e que se sentiram recompensadas e empoderadas com essa escolha é muito encorajador.
Quando o corpo consente é um desejo de uma boa hora em forma de livro.

Nana, nenê – fujam desse livro também!

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Uma conhecida me emprestou um livro chamado Nana Nenê, de Gary Ezzo e Robert Buckman, que promete ensinar um método para que os pais eduquem seus bebês para dormir a noite toda até completarem 6 semanas de vida. Contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e todos os grupos sérios de apoio ao aleitamento materno, o livro recomenda que, desde seus primeiros dias, o bebê seja enquadrado numa rotina rígida, com horários controlados para a amamentação. A idéia é que é possível treinar os bebês evitando que eles se tornem o centro da vida familiar.
Como todos os livros desse tipo, os autores creem que o benefício do leite materno é somente biológico e rejeitam sua função de acolhimento e aprofundamento do vínculo mãe-bebê. Consideram ainda as práticas da cama familiar, do aleitamento de horários livres e prolongado (2 anos ou mais) e do canguru (a mãe levar o bebê junto de si num sling ou similar) como algo que gera crianças dependentes, sem autonomia e muito exigentes. Falam ainda que tais práticas podem até ter seu porque em países de Terceiro Mundo, mas que seriam inaceitáveis em países mais ricos! Defendem o uso da chupeta e não do peito para confortar os bebês e por aí vai…
Detestei o livro e hoje até descobri que existe um movimento internacional contra ele na internet. Posso falar com base na minha experiência. Minha filha mamou por 2 anos e 2 meses. Pratiquei intensamente a cama familiar até ela completar 5 anos e, de lá pra cá, continuo a fazê-lo em casos de necessidade (doenças, fragilidades emocionais etc.). Sempre amamentei livremente e não só para matar a fome da minha filha, mas como forma de carinho, apoio emocional e aconchego. O resultado foi um criança que com 1 mês de vida acordava apenas 2 vezes de noite e que depois dos 3 meses acordava apenas uma vez. Com 1 ano já comia sozinha e não precisava que lhe dessem comida na boca. Com 1 ano e 5 meses arrumava sozinha, apenas com minha supervisão, a mochila da creche, tirando as roupas suja e colocando no cesto, escolhendo outras para por no lugar. Ela cresceu e se desenvolveu com grande autonomia e senso de responsabilidade.
Pela minha experiência de mamífera, creio que livros como esse podem ser muito prejudiciais ao aleitamento materno, que não é tarefa fácil nas primeriras semanas. Amamentar exclusivamente exige paciência, segurança, apoio e muita calma, o mínimo possível de ansiedade. Imagina conseguir isso se, além de todas as pressões que rolam, a mãe ainda resolver impor horários, rotinas rígidas e cobranças desnecessárias!
Amanentar é sobretudo deixar fluir,seguir o ritmo da natureza e acreditar no seu próprio potencial de mulher/mãe/mamífera capaz de garantir a sobrevivência da cria. É viver um tempo que não se dobra ao relógio e às exigências da produtividade capitalista. Horários rígidos de amamentação só podem ser bons pra preparar a mulher recém-parida pra voltar o mais rápido possível ao ritmo de trabalho, algo contrário à vivência plena e prazeirosa da amamentação.
Se o bebê não dorme de noite, podemos dormir de dia, nos horários em que ele dorme. Eu sempre fiz isso, dormia junto com minha filha. Para isso serve a licença-maternidade! E ninguém passa a vida toda acordando pra mamar. Toda criança passa a dormir em alguns meses. É só ter calma e paciência. Pode acreditar!

Oração para Nossa Senhora do Bom Parto

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Não sou católica e nem sigo nenhuma religião, mas me considero uma pessoa espiritualizada. Achei linda a oração de Nossa Senhora do Bom Parto e resolvi compartilhar aqui:
Ó Deus, Senhor da vida para assumir a nossa humanidade, vosso Filho Jesus foi concebido pelo Espírito santo no seio maternoda vossa serva Maria Santíssima. E ela o trouxe à luz, entregando à humanidade o Salvador.
Agradeço-vos, ó Deus, pelo filho que concebi e carrego em meu ventre. É quase chegada a hora de vê-lo nascer.
Que meu filho consiga ver a luz do dia, amparado por vossa mão carinhosa. Desejo sentir a presença materna de Maria na hora do parto, fazendo-me forte e muito serena, plena de alegria de poder gerar.
A ela dirijo minha súplica: Ó Maria, que fostes agraciada com um parto feliz, assisti-me na hora do meu parto e rogai a Deus por mim. Amém!